domingo, 27 de setembro de 2009

Ah!

Ah, procurei no minúsculo o vasto
Vasculhei pelo lixo relíquias
Regurgitei o amor em sarjetas
Sujeitei meu corpo às sujeiras
Tantas dos alheios
Almejei com força o mistério
Misturei com ímpeto os opostos
Operei tramas argutas
Argumentei rezas e lutas
Lubrifiquei-me em festa
Fantasiei-me de santos e putas
Lamentei o que resta
Dessas tantas almas rompidas
Romantizei o nojo:
Nobres meninos se forjaram em lobos
Para adentrar minha noite
Em santificado gozo.
Mas nunca aprendi
Coisa alguma sobre o emaranhado viscoso
Desta teia que se faz o meu corpo
Enforcando em gemidos
Assassinando em dolorosos sorrisos
Sem rastros de amor,
Esses frágeis moços.

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