sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Calendário

Passou agosto, com seus abrasivos astros
Rotativas luas, mil pés de aço cortando os céus.
Veio setembro, cata-ventos arrancando pétalas
Desmanchando desenhos de bichos
Crateras azuis entre nuvens
Se formaram por sopros divinos
Formas tardias de aviões riscando alturas
Me entregam sempre e sempre o que já passou
Nunca capturo a tempo
As coisas que não perduram.
Teu nariz à meia-luz ou um cacho do teu cabelo visto às cinco da tarde
O teu dedo longo que sabe escrever em névoas.
Chegou outubro,
Não me contive e te desenhei de novo
Escrevi cartas
Tive arroubos de insanidade.
Vem novembro
Eu já vislumbro
Qualquer rastro de esquecimento
E me agarro em alças de bruma
É uma esperança tola e irrecusável
Transmutação
Alquimia
Ter peso de espuma
Pra ver dezembro do alto.

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