segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Caro Data Vermibus

Eu poderia
Languidez somática
Trazer-te febres
Calafrios
Ou nojos irrecusáveis
Quem sabe
Acompanhados
De prazeres inteligíveis
A substituir tuas palavras ocas
Por gemidos roucos
Com um toque
Dedos abertos
Mão espalmada sobre as tuas costas
E estremecidas coxas
Com a língua entrar tão fundo
A te desenhar estrelas no céu da boca
Eu poderia fazer-te tão meu
Que tu me dirias: toma o meu gosto,
É teu
Filho morto sobre o meu peito
Sopro morno em feridas abertas:
É tudo sêmem e sangue
Semeaduras que entardecem em tardes úmidas,
Lidas duras, árduo labor
Sobre lençóis e viscos.
Aos meus ouvidos teus suspiros sôfregos
De quem não teme o corte
Quando afaga o vidro.
Soluções gregas, mas satisfatórias
Torpor de ser consumido.
A ti a sombra de um desejo tardio
Projeta nossos corpos sobre a luz do dia.
Juro,
Poderia.


Nem ouso.

Um comentário:

Priscila Lopes disse...

Adorei, adorei, adorei.

E como não encontro agora palavras que sustentem minha adoração, irei seguir o blog, para vir outras vezes, e colocar nessas outras a esperança de conseguir comentar meu comentário.

Um abraço.