sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Para "Bridges and Balloons"

Oito meses em alto mar, ela descia agora da caravela. Tocou os pés no chão, lembrou-se de como era pisar em terra e logo um estranhamento tomou conta do seu ser. Parecia que o solo se movia para lá e para cá e que não existiam coisas imóveis em todo o mundo sólido que circundava os mares. As velas balançavam rasgadas ao curso de um vento seco, morno. As moças pulavam uma a uma na areia, buscando apressadamente ajeitar cabelos desgrenhados dentro de chapéus encardidos. Os canários agitavam-se nas gaiolas diante da presença absurda do verde. Tinham olhares ávidos e tristes, talvez pressentindo que ninguém ali os libertaria e gritavam em euforia à visão colorida dos balões à gás que subiam ao longe. Ela aproximou-se da beira da água enquanto a embarcação se distanciava em retorno ao imenso nada azul. Depois deu dois passos para trás e lá pelo trigésimo, não sentia mais vertigem.

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