quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Jimmy (ou Quarto com Vista)

Vontade de dizer pra alguém “volta pra casa”. Necessidade de espera. De estar esperando e sabendo que vem. Esse espaço cuja extensão e densidade de escuros só aumenta teria recebido promessas de luz. Pra amanhã, pra depois. Teria mais a ver com esperança do que com desolação. Desertos imensos como paisagem de memória. Não. Queria lembrar de quartos pequenos e aconchegantes recantos. Camas bagunçadas com sol por cima e vento leve dando motivo para frases como: me abraça forte agora.

Vontade de ver materializado, nem que seja por um dia ou dois, o algo mais clichê, a utopia merecedora do nome, o brilho raro por dentro das superfícies insignificantes: alguma coisa verdadeira nisso tudo.

Eu tenho urgências. Tenho desejos que estremecem a solidez destes platôs inventados para uma sobrevivência acima dos amores ilusórios. Tenho frêmitos que começam com um roçar quase imperceptível de cílios sobre a pele e terminam em temporais que abarcam certas coisas: um pequeno quarto da memória, camas com sóis e essas tantas frases forjadas no bem querer. Proximidade cósmica. Diálogos eloqüentes sem proferir palavra. Um com o outro, pelo outro, dois. Um e Um, Dois. Um e Um, Uno.

Sim, tenho urgências. Necessidade de dizer “volta” antes que a densidade turva dessas tantas águas passadas atinja o teto e desfaça sol e cama. Afogue frases como “me abraça forte agora”.
Sem náufragos.

Um comentário:

artificialsweetenes disse...

eu sempre acho que as pessoas deviam voltar antes que o buraco causado pela ausência delas seja tão grande que quando voltam já não podem tampar.