terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Notas do Lado de Cá

Minha meta agora é tão simples. Posso fumar até dez cigarros por dia. Não bebo café, faço as posições de ioga que consigo me lembrar daquelas poucas aulas e danço, danço muito. Na frente do espelho, sem compromisso, desajeitado.

Beber muita água é fácil.

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Tenho olhado anúncios de emprego, tenho torcido o nariz para todos eles e, no entanto, sei da urgência em preencher ao máximo o meu tempo. E o meu bolso.

Pensamentos indesejados sempre voltam, mas aprendi a afastá-los como moscas.

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Ontem pensei em morar na Albânia ou na Moldávia, qualquer lugar bem longe. Alguém me disse que a Albânia tem uma vista linda para o Mediterrâneo; é como estar na Grécia sem pagar o que se paga na Grécia para estar lá.

Seria lindo te esquecer diante do Mediterrâneo.

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Conheci uma pessoa. Ostentei minha indisponibilidade, não fui agradável. Depois pedi desculpas e planejei uma fuga. Mas no meio disso surpreendi-me querendo aquela presença estranha. Ele tinha algo que eu queria, não sei dizer o quê. Isso acontece pouco. Retornei disposto a me redimir e não o vi mais.

Agora espero e não sei o que vai acontecer. Mas não será amor.

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Tenho me dedicado à fotografia, mais que nunca. Levo para todo lugar uma câmera emprestada dentro da mochila. Um dia vou ter a minha, talvez na Albânia.

Pouca coisa me interessa.

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Camilla vai embora. Cada vez mais me acostumo às ausências. Penso em adaptações. Outro dia Otávio disse: adapte-me a uma cama boa. Essa frase ficou gravada.

Pensei muito nisso também.

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Sinto culpa, mas sinto muito: tem doído menos. Eu queria as dores corrosivas para ser consumido até o fim. Gestos de aspersão das tuas mãos em rituais lentos. Agora acordo e percebo partes recompostas.

Hoje de manhã chovia muito. Voltei a ter um jeito de olhar que eu tinha.

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Outro dia conversei contigo. Era de noite e eu estava sozinho no quarto. Te disse que você faria um bom Encólpio, no Satyricon de Petrônio. Isso porque vi novamente a adaptação do Fellini para o cinema e quis te dizer o quanto eu amo Fellini e o quanto eu amo o cinema e o quanto te vejo em alguns filmes. Resquício daquela euforia que eu tinha por querer dividir contigo os meus amores, dessa forma estranha e ignorada, acostumada ao desprezo involuntário. Não, não é tua culpa mais. O que nos unia se rompeu há muito, de tão frágil. Mas te digo: farias um bom Encólpio.

Assista Fellini, quantos puder.

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Até breve, boa viagem


L.

Um comentário:

Isadora disse...

Tudo é mais bonito de frente pro Mediterrâneo, o Charles Aznavour sabia disso quando ele diz que "la misère serais moins pénible au soleil"


(e você é lindo Leo)