segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Matsugo No Me

Para ver-te bem me bastam uns olhos embaçados, de sono ou torpor. Não é preciso um par de olhos bem feitos, sem qualquer grau de miopia, para saber-te uma presença quase absurda de peso incorpóreo. Essas coisas não se vêem com esses olhos. Arranquei uma vez, meus próprios, para ver-te melhor. E no escuro tentei aproximar-me desse ser fugidio que és. Foi sempre em vão. Tateei paredes, camas, beirei janelas quase a ponto de lançar-me delas. Toquei galáxias muito distantes uma vez, sobre lençóis alheios. Abracei, envolvi com as pernas, marquei com dentes. Trilhei caminhos sinuosos com meus lábios sempre mudos. Você era areia, névoa, água turva. Qualquer coisa que evapora ou se desmancha. Escuro, vasto, estrelado. Qualquer coisa que se perdeu e ainda se perde todos os dias, infinitamente de tão grande.

2 comentários:

Naty disse...

Uaaaau... Que show de palavras!

Sinceramente... Gostei de verdade.

Sigo seu blog e sempre estarei aqui lendo suas postagens.

Parabéns! Tens minha aclamação.

Léo Tavares disse...

Obrigado, Naty. Que bom que gostou. Volte sempre :)