domingo, 25 de abril de 2010

Sem Poesia


Uma voz de cor acinzentada, com trechos de ocre, leves ecos de saudade, cheiro e gosto de sangue, atravessou multidão e tráfego antes de me atingir em cheio os sentidos. Meu coração parou no meio da rua, pensei que veria inferno ou paraíso, ou qualquer reflexo desse mundo espelhado num universo aquático que eu mesmo acabara de vomitar.
Depois deitaram-me, consolaram-me. Foram amigos. Aproveitei a brevidade do silêncio e fugi para uma fresta que se avistava muito acima, entre os galhos das árvores, e nunca mais fui o mesmo.

Imagem: Dead Man, Jim Jarmusch

2 comentários:

Valerie disse...

Percebo o seu talento principalmente ao ler palavras que não são autobiográficas, mas nem por isso fake. Há imaginação in motion e ficção com base num passado muito remoto mesmo. Parabéns Sr. Hillary!

beto,,, disse...

sabe que tou com esse filme por assistir aqui em casa há tempos? curioso.

gostei bastante do texto.

e achei fofo vc me divulgar no twitter. :)