quinta-feira, 27 de maio de 2010

16:12:08

Trabalho sem descanso e pleno de desinteresses um sem fim de coisas que não se desprendem de si mesmas. Eu estou bruto, mecânico, calculado.

Cadê a fluidez das horas, quando elas ainda lutavam contra tempo e espaço? Quando a tarde se fazia presença azul-clara para dar alguma água aos nossos olhos.

Cadê as coisas que a gente olhava, que a gente podia se demorar sobre? Era quando os meus olhos ainda olhavam.

Cadê o toque desperto para pele e abraço, o remanso desvendado num trecho amado entre o pescoço e o ombro de alguém que não existe mais? Quando me bastava a estagnação de um dia a revelar presenças alheias solidificadas na minha.

Cadê as cores tecendo lentas um crepúsculo que se anunciava primeiro nas nossas costas? Quando elas não pesavam sozinhas sobre janelas sem vista e computadores, às 16 horas de uma quinta-feira que jamais será lembrada.

Cadê a leveza, meu Deus?

Quando eu ainda possuía algum poder sobre o desenrolar fugidio das coisas, a vida era assim: eu soltava lentamente tardes presas em gaze e tule, e observava em silêncio brilhos metálicos tilintarem livres sob um sol que definhava na pele. A gente costurava estrelas na noite, pela essência plena do que eram: corpos celestes se libertando dos nossos próprios corpos.

Trilha: Older Chests- Damien Rice

Um comentário:

Death of a Prodigy dancer disse...

Iza? Quem é Iza? Olha o meu ciúme , heim. Huhuahua. Damien Rice não, viu. Amigo, o que houve ontem foi que eu tive que levar o Guel ao circo Marcos Fraco (o amor de mãe leva a lugares que vc NEM imagina) e eu estava sem sms depois que Mallory me telefonou. Você não me ligou em casa, nem deixou recado off MSN, nem mandou e-mail, entón eu não imaginei que vc estaria por aqui. A bbsitter não veio e fiquei na mesma...Vou te ligar hj.