segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mesmer


Atravessei no corredor um feixe de luz. Poeira dançava tonta em espirais para o alto. Eu me mantive por trás da escuridão propícia dos óculos. Medo de olhar nos olhos o sem nome que já se manifestava nas mãos. Eu me mantive por trás da minha cara de espelho: dois medos muito bem fundados se revezavam ali.

Resignação e covardia. Um último fiapo se rompe numa teia secular, imensa e frágil. Nem sorrisos nem “olás”. Suficientes “obrigados” entrecortam duas vozes que precisam colidir para tomarem velocidade rumo a lados opostos. Fugas que seriam meio patéticas, até, se não durassem poucos segundos; que seriam emblemáticas para as grandes finalizações, fossem essas grandes fugas.

Dentro de um filme, haveria de ser a cena extra após os créditos. Aquela cuja existência poucos na sessão ficaram para tomar conhecimento. Depois da última música, bem depois do the end.

O feixe de luz me congela. Imagem e movimento. A estaticidade de morte que acontece exatamente após os sentimentos que latejam é infinita e se passa em um tempo ínfimo. Então você ganha a sua velocidade e tem a coragem de atravessar sem rastro de memória um corredor inteiro de sombra.

Agora escuto perplexo a sinfonia das significâncias, uma a uma, desmoronando ao longe.

Trilha: Sometime Later- Alpha
Imagem: Mesmerism- Monica René Rochester, colagem, 2003

Um comentário:

Swoon disse...

Quer ser um doente em torno da caixa emissora de imagens futebolísticas amanhã @ Cenário? Guelzim estará com os tios dele. ANSWER ME THIS TIME,DAMN IT! <3