terça-feira, 8 de junho de 2010

A Paixão Segundo Syd Field

Para Dani


Dois se conheceram. Dois ficaram juntos. Por um tempo apenas. Fim.

“Pra sempre.”

“Amor.”

“Da minha vida.”

“Fica.”

“Adeus.”

*Considerando-se variáveis, mas mantendo-se a essência das mesmas, estas se apresentam como sentenças básicas para a estrutura dos relacionamentos amorosos, somando-se a elas algumas outras poucas, de significado semelhante, e um sem fim de gestos e olhares subjetivos demais para serem catalogados.

O texto apresentado é meramente descritivo para a formulação da estrutura básica de um relacionamento do tipo amoroso, praticamente a mesma utilizada para descrever as narrativas literárias (e cinematográficas depois de Griffith e apesar de todo o cinema não-americano):


exposição > conflito > resolução:


Ainda que no texto inicial não exista uma narração descrevendo o conflito, que é a parte onde as situações se apresentam enganadoras porque tendem a tolher a capacidade, digamos, racional dos personagens envolvidos, imersos durante todo este trecho central na ilusão de desconhecer o desfecho, ignorando todas as premissas apresentadas já na exposição.



Ou seja, o amor é tão previsível quanto um livro de banca de revistas chamado Sabrina, Bianca, Julia ou Samantha. Ou um filme hollywoodiano. A gente já sabe como é que termina, mas continua hipnotizado pela narrativa e finge que o final é sempre uma surpresa. É claro que ainda que constituídos por um esquema vulgar de manipulação do público pelo autor, existem os bons livros, os bons filmes, e... os bons amores. Há apenas uma falta de entendimento em relação aos agentes manipuladores/manipulados. E também ao emprego do termo “ficção”, muito bem consolidado em obras audiovisuais e literárias para o entendimento comum, mas pouco utilizado para descrever o rocambolesco ou o trágico de uma vida a dois.

Agora comecei a pensar que existem leitores, cinéfilos e amantes. Alguns leitores só se interessam por livros policiais, alguns cinéfilos só assistem aos filmes de ação, por exemplo. E alguns amantes só se satisfazem com intermináveis clichês que se desenrolam cronologicamente dentro de uma estrutura ordinária de três preceitos e muita, muita utopia.

Lembra quando as pessoas saíam terrivelmente perturbadas das primeiras sessões de cinema¿ Pois é. O amor é ainda aquela locomotiva avançando destruidora e ilusória sobre os nossos semblantes incrédulos.

Trilha: Black Comedy- Bright Eyes
Imagens: Marcellin Auzolle, poster publicitário para os irmãos Lumière, ilustrando a comédia L'Arroseur Arrosé, 1895./ capa do livro Sabrina- Amante por Engano, de Penny Jordan.

2 comentários:

Valerie disse...

Amigo, posso ser desagradável? Ótimo, então, eu estava pensando se você as vezes pudesse postar em duas partes, afim de preservar as velhas e cansadas vistas das amigas tidas talvez erroneamente ou não, como preguiçosas. Enfim, enfant, Balaio hj?Bjs!

Dani won't rickroll you disse...

Hoje reparei que (rofl)o post é para mim!Boa notícia: podemos nos ver amanhã @ game time e a má é que a stalker bitch deixou comment pra você lá no outro blog.