quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sem Título



A inveja iridescente diante de sorrisos e choros dos que ainda sentem,
Brilha um verde biliático: mistura homogênea, raivas e azedumes.
O corpo apodrecido do tempo vai decompondo as horas.
A mão da noite feito garra revira estômago atrás da fome.
Que fome, que vontades, que enjôos se produzem a cada gesto de virar-se e ir?
Nem mais sossego serenando euforias,
Nem mais catarses constantes ou esporádicas
O escuro lança seivas para a terra em esporradas pouco românticas,
Como precisam ser as germinações desprovidas de amor.
Anomalias espreitam para aleijar-te até a sombra
E se aproximam de nosso ventre as vidas anguiliformes, subterrâneas.
A sorte se atira sobre as vidas dos outros, risos sádicos
Diante da fome do filho, cansaço
E alguns trapos para amenizar o inverno.
Eu acho que quando a gente sofre,
Alguém Maior se compraz e goza.
Mas não é no inferno.

Imagem: Identidade 3, série em scanner- Léo Tavares

Um comentário:

Valerie disse...

Arrasa meu bem, arrasa e saiba que para os pequenos, suas virtudes sempre serão uma ameaça, por isso mesmo se afastaram de ti e estão agora a ciscar with their own kind.