quinta-feira, 22 de julho de 2010

Das Amizades Epistolares

Sinto, querida Emily, que em vista do cansaço as minhas cartas se tornarão escassas. Gostaria de te escrever tanto ainda, só que mais uma vez percebo a imensa fragilidade, a ineficiência das minhas palavras. Ainda fico triste em perceber que nada disto gerou frutos. Ainda aspirava compreensão profunda, queria pretensiosamente produzir algumas leituras daquilo que não está escrito. Quis uma reflexão aguda e não possuo meios de descobrir se ela foi feita. Assim sendo, recuso por hora os artifícios de uma comunicação embotada. Mesmo diante dos surdos, preciso me abster dos meus gritos. Eu vou engolir uma voz assombrosa que se precipita em espirais velozes pelas minhas cordas vocais. Sufocá-la ao máximo, selar os lábios, forçar passagem pelo estômago, até que ela seja devidamente digerida. Eu cansei, Emily, de assustar os pássaros. Só queria alimentá-los, nunca prendê-los comigo. Já fomos tão leves e somos agora tão pesados sobre a terra.

Um comentário:

beto,,, disse...

caralho léo, que lindo.