quinta-feira, 19 de agosto de 2010

After The Three Beggars



Dobrei a via estreita dos desenganos.
A perder de vista minha sombra crescia sob a sombra dos anos que perdi.
Diante de mim o mato se erguia altivo, a impedir passagem.
E embora o orvalho chorasse complacente,
Dei às costas em respeito ao que não me cabe.
A cidade lá embaixo clamava por alguma coisa boa
E para dizer isso enchia d'água seus milhões de olhos vazados.
Era tanto brilho que parecia a madrugada refletida num rio.
Sofrimento, Dor, Desespero: não existem estrelas com esses nomes.
Mas quando olhei para cima, havia centenas de constelações salpicadas de saudades.
Tantas que a gente até perdia o fôlego.
Baixei a cabeça e inventei meu rumo.

Trilha: Roses & Hips- Keren Ann, do álbum Nolita
Imagem: So Absurd, So Fantastic- Delphine Courtillot, guache sobre papel, 140 x 100 cm, 2006.

4 comentários:

Carmem Maria disse...

a imagem casando visceralmente com o título (e o filme) e a prosa (con)segue atmosfera sinistra de relva noturna, isso até as últimas sentenças. pessoalmente prefiro as construções úmidas de pavor antes de olhar para o céu.

kauanamaria disse...

E inventei meu rumo...

Carmem Maria disse...

Tatá, eu agora vejo os excessos que cometi e por isso irei me abster de comentar. Olhar para o céu BTW foi um prazer na semana em que houve mais um fenômeno para o deleite dos leigos (magia).Preciso ser menos impulsiva mas relaxa por quê depois de anos percerbi que isso aqui é só a iNet. See you in real life.
P.S. Adorei nossa noite com Manu na UNB. Ouvindo agora Caribou, Ratatat e Nujabes.

Summer disse...

o céu, lúdico YET matemático é epifânico. porém o rumo de sua prosa madura desprende-se amistoso e astronômico quando a catarse cinematográfica de Lars em seu epílogo seguiu freudiana.