terça-feira, 24 de agosto de 2010

Je Sais...

Usava camisa xadrez, não gostava da cidade e pensava em fazer cinema. Mas não tinha certeza. Perguntou se eu sabia o que queria fazer da minha vida e eu disse que não. Mas eu sabia. Quis apertar a mão dele só pra ver como é que era e antecipei uma despedida. Em vez de me estender a mão ele me puxou para um abraço. Quando nos afastamos era como se eu tivesse saído de um abrigo seguro depois de muito tempo, pra constatar que o mundo lá fora não havia acabado. Falei o nome dele em voz alta porque queria guardar bem guardado. Jessé. Achei antiquado e charmoso. Era um dia de julho e em Brasília o frio da manhã resolvera atravessar uma tarde. Senti que nunca mais o veria e não vi.

Um comentário:

Kauana Maria disse...

Me lembrou meu fim de semana...
Triste e tocante.