quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Recanto Idílico Para Depois de Amanhã



Não tínhamos nada para colocar naquela parede. Ele disse: alguma coisa colorida pra iluminar a sala. Pensei em pintar uma tela, ou pedir a Débora que pintasse uma.

Daí, recém-saídos de um insight, quebramos juntos um retângulo de tijolos e ficamos parados recebendo o vento. Adiante assomavam morros, telhados de casa escorrendo sol, o sol, ele próprio recortando nuvens. Quando tem azul demais, a gente espera a noite. Pra quando não tem estrelas, tratei de pendurar um móbile.

Em finais de tarde, a luz vaporosa nos fala de coisas voláteis que só vão embora se pretendem voltar, e é dessas que mais gostamos. Às 17:45 o sol bate tímido na altura dos olhos e os meus, castanhos, ficam verdes. O ombro dele, pele, vira luminosidade láctea e é o perfeito encaixe para a minha cabeça.

Azul cerúleo, rosa, bronze, cobre, depois silhuetas que se misturam a um escuro morno. O que nos gritava sufoco antes, agora sussurra: contempla. E já não falta mais nada.

Imagem: Orange Sunshine - Peter Doig. óleo sobr tela, 1995 (276 x 201cm)
Trilha: Drake, Beth Gibbons

3 comentários:

kauanamaria disse...

Coisas simples, que marcam um dia, uma vida.
Lindo.

Anna K. Lacerda disse...

e se não temos sol ela me mostra um seio

beto,,, disse...

putz léo... demais!