quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Das Armas Brancas

Como se projetar o meu corpo no teu tempo
Tivesse o mesmo efeito de adentrar teu espaço,
Apressei o meu passo para te atravessar a sombra.
Corri na tua direção com uma lança,
Pela décima vez disposto a destroçar o teu semblante sob o sol da tarde,
Para depois puxar esse mesmo sol com uma corda e atear fogo ao teu redor
E te impedir passagem –olha só- mesmo depois de morto.
Tentei sempre inutilmente atrelar meus monstros ao teu calcanhar
Mas a tua forma esguia serpenteia para longe de qualquer coisa que te recorde o meu rosto.
Então eu recorto o meu rosto em cem pedaços e te entrego numa caixa,
Pra você montar da forma mais apropriada
Misturado aos traços de Alain Delon ou qualquer outro.
Fica feio, vai. Fica pequeno, e continua torpe.
Fica mudo como uma porta, e passa a chave.

Um comentário:

beto,,, disse...

gostei muito também.

coisas como o recorte e o montar.

a imagem da lança indo na cara.