quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Do Conteúdo de Um Vaso Canopo

Centopéias avançam: mesma trilha, um brilho acobreado fosco sobre as costas. Os cascos  são meses/séculos de fragilidades protegendo ramificações de pequenas vísceras. Entrelaçadas, ganham viço. Porque elas se agrupam e formam estampas, as paredes aos poucos vão se tornando bronze.  Que cheiro de sangue, disse L. O outro disse: é cheiro de dentro. E se juntaram à uma fremência de uns bichos anguiliformes e uns tantos outros anelídeos. Unidos, tínhamos a mesma importância: vermes se contorcendo no buraco da minha cabeça aberta. Aqueles que ainda não foram partidos ao meio olhariam pra dentro tão maravilhados que, nesse assombro, diriam: é sensacional, e, logo mais: não entendo nada. E eu, muito calmo, responderia: é horrendo, compreendo tudo.

Nenhum comentário: