terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Que Coisas, Que Verbos?

Os dias foram ficando frios. Uma parte de mim mais jovem que essa que eu vejo sem querer nos reflexos dos carros fica querendo invernos que não se fazem mais. Quando imaginava como seriam os invernos em tantas partes do mundo que a parte jovem de mim jamais visitou. Vi muito pouco do que queria ver antes dos vinte e cinco. Provavelmente terei visto muito pouco ainda, aos trinta. Essas faltas às vezes se agarram aos dias como uma presença não querida. A memória das coisas que não foram. Os não-acontecimentos se desenrolando todos, enquanto os carros passam e eu me recolho pra mais perto de mim mesmo, querendo invernos que não chegam mais no mundo. Não neste mundo. Sempre recuos nostálgicos esses. Querendo voltar pra não sei bem onde, querendo ser algo que não pertence ao verbo. Que coisas são essas que se precisa tanto e que não se prestam à existência?
Que desexistissem mil coisas que povoam os meus dias. Que desexistissem os dias. As vinte e quatro horas deveriam ter sempre a cor da iminência das noites. Crepúsculos combinam comigo. Estamos sempre prestes a alguma coisa. O azul escurece e é sempre imperceptível o exato instante em que vira noite. Pressinto a primeira estrela e a intuição me vem como um vento que só existe às dezoito horas. É quando fecho os olhos e penso: para, tempo. 

Um comentário:

juciene velozo disse...

Até hoje você escreve como se lê-se a minha alma, como se por alguns instantes compartilhassemos o mesmo sentimento...Beijos da eterna amiga Clene