quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tettiigonia viriidissima

Tem uma esperança do lado de fora, com as patas coladas ao vidro da janela. Fui olhar de perto e percebi nela um olhar que dizia: vai, me deixa entrar. Fiquei tentado, mas não deixei. Horas depois retornei ao quarto, disposto a dar à sorte uma chance. Ela já havia ido embora. Bateu tristeza. Estou sempre adiando a visita dela. Um dia esses bichos se cansam e não voltam mais.
Ela olhou para dentro, de braços abertos. Deve ter semicerrado os olhos para enxergar, na luminosidade fraca do quarto, através da vidraça embaçada, o meu rosto. Nossos olhos se encontraram e, mais uma vez, dizimei uma expectativa. Ela deve ter soltado as pequenas patas, pensado amanhã, quem sabe, e então se lançado ao escuro.
Agora olho para o mato lá fora, tentando divisar no breu algum vôo que brilhe verde. Amanhã, quem sabe. Fecho as cortinas.

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