quarta-feira, 29 de junho de 2011

(Pre) Textos Para Imagens (In) Ternas # 7: Outono



se um relógio é uma metáfora de tempo,
meu sopro sobre teus olhos é metáfora de vento.
faltam vinte e sete horas para o teu outono.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Passeio

Ando contigo pela rua, mãos dadas, sincronia de passos e de pássaros ao largo da avenida mais movimentada da cidade. Uns se horrorizam, sussurram, mas não viram a cara. Gostam de ver até aonde vai a nossa audácia. Outros nos querem mortos, mas uns tantos pensam “que bonito” e a gente lê isso de soslaio, mas é o sol nos teus cabelos e o calor na tua mão que me impedem de prender visão em qualquer reflexo alheio. A esses pensamentos, nem agradeço, nem me aqueço por dentro. Não precisa. Aprecio a vista e quando passam, te aperto mais os dedos, como se quisesse transmutar a tua mão na minha. Se tenho orgulho dos meus pertencimentos, não é porque quero esfregar amor bom na cara da humanidade. Faço o mesmo diante de cães e árvores.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Лайка, Kudryavka

Eu queria que todo mundo fosse pro espaço, e nunca mais voltasse. 
Ninguém caindo de paraquedas coloridos sobre Santiago do Chile.
Ninguém pintado de iodo, pra colocar sensores de frequência cardíaca.
Nenhuma história sobre corpos celestes. Só silêncio.
Apenas decolagem, 2.570 órbitas em volta da Terra, depois fim.
Eu queria que todo mundo tivesse ido pro espaço. Menos ela.
Eu subiria bem alto pra olhar o céu. Um assovio pralém da lua, e ela viria correndo,
Radioativa, alada, com seu capacete de astronauta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

(Pre) Textos Para Imagens (In) Ternas # 5: Estação/Espectros




(Pre) Textos Para Imagens (In) Ternas # 4: Isto é Quem Fomos:






Ele levava a gente pra tomar banho de rio.
Eu dormia enrolando o dedo no cabelo dela.
Uma vez Fabiana e eu aprendemos a andar de bicicleta.
Noutra vez apontamos o dedo pruma estrela e não nasceu verruga.
Quando nos deixaram sozinhos em casa escrevemos coisas em todas as paredes.

Estávamos aprendendo.