quinta-feira, 16 de junho de 2011

Passeio

Ando contigo pela rua, mãos dadas, sincronia de passos e de pássaros ao largo da avenida mais movimentada da cidade. Uns se horrorizam, sussurram, mas não viram a cara. Gostam de ver até aonde vai a nossa audácia. Outros nos querem mortos, mas uns tantos pensam “que bonito” e a gente lê isso de soslaio, mas é o sol nos teus cabelos e o calor na tua mão que me impedem de prender visão em qualquer reflexo alheio. A esses pensamentos, nem agradeço, nem me aqueço por dentro. Não precisa. Aprecio a vista e quando passam, te aperto mais os dedos, como se quisesse transmutar a tua mão na minha. Se tenho orgulho dos meus pertencimentos, não é porque quero esfregar amor bom na cara da humanidade. Faço o mesmo diante de cães e árvores.

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