terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pedra de Lagar


Têm sido tempos difíceis. Alguns anos se revestem de uma película mais densa que outros. Mas desisti de empurrar os dias, lançar meu corpo a essa placenta bruta que só se rompe sozinha. Estranho metaforizar nascimentos quando tenho pensado tanto em mortes. Guardei, por ora, a minha faca. O gume dela se afia na morosidade da rotina de agora. Quanto tempo leva para que a lâmina termine o seu percurso de esfregar a pedra? Quem amola a quem, nesta lida árdua de atrito e brilho? Às vezes é preciso vinte e quatro horas de movimento, até que tilinte o instante em que fio e corte se despedem. Para então se tocarem de novo, em sentido oposto. Outras vezes, dura menos que um respiro.

Tenho escutado muito. Pessoas e vestes e um roçar de armas simbólicas em cada encontro. Despedidas e desmedidas assomam seus vultos sobre cada minuto. A vida toda pela frente, eles dizem, e a vida se ri porque ficou para trás. Adiantenada, palavra nova que devo agregar às minhas descrições de futuro. Concepção de tempo minada pelo descobrimento do espaço como onipotente. No lugar dos anos, me deem quilômetros, por favor. Em vez das horas, conto quantos passos necessito para chegar ao portão da minha casa.

Não existem réguas, nem fitas métricas para medir saudades. Mas fizeram estradas. Longevidade é um deitar-me sobre a cama, corpo estirado a crepitar sua história de fenecimento. Um apagar de olhos não leva uma fração de segundo, mas sim alguns milímetros que às vezes se anuviam de águas.

Deixem-me recomeçar: tenho estado em lugares difíceis. Alguns quartos se revestem de cores que não são propensas ao reconhecimento. Nunca é dia e nunca é noite: é a minha sala, a televisão ligada, o livro aberto e depois da janela, a rua. Depois da rua? Só quero saber do que avisto.

No lugar de relógios, deem-me mapas.

Quero lembrar como se volta pra casa, 1998, o pequeno jardim malcuidado, as venezianas quebradas. O tempo se desfazendo em ladrilhos muito sólidos. Fabrício sentado nos degraus da escada.

sábado, 11 de agosto de 2012

Premência Primeira


Um silêncio ostentoso, que arraste que nem corrente toda espécie de sons de toda espécie de gente.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

... Em Macondo


Não sei se alguém, propositalmente ou por acaso, ainda passa por aqui, mas, se porventura este móbile azul ainda receber leitores, gostaria de divulgar uma recente publicação de dois textos meus na quarta edição da Revista Literária Macondo.

Os textos se chamam Anna, As Pessoas Boas Escutam Beethoven e Apocalypse Now, Please, e você pode encontrá-los a partir da página 49. Para fazer o download da revista no formato pdf, clique aqui.
Se preferir visualizar a edição online, o link é este.

Aos antigos leitores que ainda visitam o blog, desculpem a escassez literária por aqui nos últimos tempos. Tive um semestre bastante agitado na faculdade e tentando colocar pra frente projetos de artes plásticas que, vale acentuar, nasceram a partir do verbo e, características visuais estéticas à parte, são uma homenagem à palavra. Estes trabalhos (alguns publicados aqui nas últimas postagens) ainda estão em desenvolvimento, o que não significa que abandonei outros projetos literários. Confesso que a minha produção destes meses foi pequena, em comparação com meus últimos cinco anos de escrita, mas em breve retorno com material novo, a quem interessar possa!

Por enquanto, Macondo. Agradeço a gentileza de quem abrir o link e ler os textos, e mais veementemente a quem se dispuser a compartilhá-los...

Um abraço.